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Master e BRB: os R$ 22,9 bilhões em carteiras que se tornaram uma peça central do caso

Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB informou ter adquirido R$ 22,9 bilhões em carteiras de crédito relacionadas ao Master e ao Will Bank. Parte das operações entrou posteriormente no centro das investigações, enquanto o banco público sustenta que

BRB; Banco Central; documentos das investigações; STF; Polícia Federal; Reuters; Folha de S.Paulo
Master e BRB: os R$ 22,9 bilhões em carteiras que se tornaram uma peça central do caso As operações de aquisição de carteiras ligadas ao Banco Master e ao Will Bank pelo BRB movimentaram dezenas de bilhões de reais e se tornaram uma das principais frentes de investigação do Caso Banco Master.

DOSSIÊ RBL EM FOCO | CASO BANCO MASTER

CAPÍTULO 3

Master e BRB: os R$ 22,9 bilhões em carteiras que se tornaram uma peça central do caso

Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB informou ter adquirido R$ 22,9 bilhões em carteiras de crédito relacionadas ao Banco Master e ao Will Bank. Parte dessas operações entrou posteriormente no centro de apurações do Banco Central, da Polícia Federal e do Ministério Público. Hoje, o BRB sustenta que pode ter sido vítima de fraude. Mas negócio realizado, suspeita investigada e responsabilidade individual são três coisas diferentes — e precisam ser reconstruídas separadamente.

Por RBL Magazine | RBL Em Foco
Dossiê Caso Banco Master | Capítulo 3
12 de setembro de 2026


DOSSIÊ BANCO MASTER | ONDE ESTAMOS

No Capítulo 1, reconstruímos a origem do Banco Master.

No Capítulo 2, mostramos a engrenagem financeira que permitiu à instituição crescer: captação por CDBs, crédito, fundos, operações estruturadas e a necessidade permanente de transformar ativos em liquidez.

Agora chegamos a uma relação que conecta essas duas histórias.

Banco Master e BRB.

Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o Banco de Brasília informou ter adquirido aproximadamente R$ 22,9 bilhões em carteiras de crédito do Master e do Will Bank

O número é enorme.

Mas sozinho não explica o caso.

Precisamos descobrir o que foi comprado, por que essas carteiras eram importantes para o Master, como algumas delas passaram a ser questionadas e por que o próprio BRB hoje sustenta que pode ter sido vítima de fraude.


PRIMEIRO: O QUE SIGNIFICA “COMPRAR UMA CARTEIRA DE CRÉDITO”?

Antes de falar em investigação, precisamos entender o negócio.

Imagine que um banco tenha concedido milhares de empréstimos.

Esses clientes não pagarão todo o dinheiro imediatamente.

Eles pagarão parcelas durante meses ou anos.

O banco possui, portanto, um conjunto de direitos a receber.

Essa é, de maneira simplificada, uma carteira de crédito.

Mas o banco não precisa necessariamente esperar todos esses pagamentos.

Ele pode vender esses direitos para outra instituição.

É a chamada cessão de carteira de crédito.

O comprador paga agora para receber os fluxos financeiros posteriormente.

Para quem vende, há uma vantagem evidente:

UM ATIVO FUTURO PODE VIRAR LIQUIDEZ PRESENTE.

E essa palavra — liquidez — é justamente a ponte entre o Capítulo 2 e o Capítulo 3 deste dossiê.


O MASTER PRECISAVA DE LIQUIDEZ

No capítulo anterior mostramos a equação econômica do Master.

O banco captava bilhões, inclusive por CDBs de remuneração elevada.

Esse dinheiro financiava crédito, fundos, operações estruturadas e diferentes classes de ativos.

Mas os investidores tinham vencimentos.

O Master precisava honrar seus passivos.

Por isso, possuir R$ 1 bilhão em ativos não significa necessariamente possuir R$ 1 bilhão disponível em caixa.

Uma carteira que produzirá pagamentos durante anos pode valer muito.

Mas não necessariamente produz dinheiro hoje.

Quando essa carteira é vendida para outro banco, ocorre algo importante:

carteira de crédito → pagamento do comprador → entrada de liquidez.

É nesse contexto que a relação entre Master e BRB ganha importância.


ENTRA EM CENA O BANCO DE BRASÍLIA

O BRB não é um banco privado comum.

O Banco de Brasília é uma instituição controlada pelo Governo do Distrito Federal.

E, a partir de julho de 2024, começou uma sequência relevante de aquisições de ativos relacionados ao grupo Master.

Documentos tornados públicos em 2026 mostram que, entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB informou ter adquirido aproximadamente:

R$ 22,9 BILHÕES

em carteiras de crédito do Banco Master e do Will Bank

O Will Bank fazia parte do conglomerado relacionado ao Master.

Esse é o primeiro número que o leitor precisa guardar.

Mas também é onde precisamos evitar um erro.


R$ 22,9 BILHÕES NÃO SIGNIFICAM R$ 22,9 BILHÕES DE FRAUDE

Essa distinção é fundamental.

O valor de R$ 22,9 bilhões corresponde ao volume de carteiras informado pelo BRB no conjunto de operações realizadas com Master e Will Bank no período mencionado.

Isso não significa que todas essas carteiras sejam fraudulentas.

Também não significa que R$ 22,9 bilhões tenham sido definitivamente perdidos.

E tampouco significa que esse seja o valor de eventual prejuízo do BRB.

São conceitos diferentes.

Durante as investigações aparecem outros números porque autoridades, auditorias e reportagens estão tratando de recortes diferentes das operações.

Por exemplo, documentos da investigação mencionaram aproximadamente R$ 16,7 bilhões transferidos pelo BRB ao grupo Master entre julho de 2024 e outubro de 2025 em determinado conjunto de operações. 

Outra frente da investigação trata especificamente de cerca de R$ 12,2 bilhões relacionados a créditos cuja origem passou a ser questionada. 

Portanto:

R$ 22,9 bilhões=volume mais amplo de carteiras informado pelo BRB.

R$ 16,7 bilhões=valor mencionado em documentos investigativos para determinadas transferências ao grupo Master.

R$ 12,2 bilhões=recorte associado às carteiras cuja regularidade/originação entrou diretamente no centro das apurações.

Misturar esses números produziria uma conclusão incorreta.


NEM TODAS AS CARTEIRAS TIVERAM A MESMA ORIGEM

Esse é outro ponto importante.

As investigações não tratam todas as operações do Master com o BRB como se fossem uma única coisa.

Há carteiras originadas pelo próprio Master.

Há ativos relacionados ao Will Bank.

E há carteiras cuja origem foi atribuída a terceiros.

Essa diferença tornou-se particularmente relevante com o surgimento de um nome:

TIRRENO.

A Tirreno passou a ocupar posição central nas apurações sobre determinadas carteiras posteriormente transferidas ao BRB.

A hipótese investigativa é que créditos apresentados como existentes poderiam não possuir o lastro declarado.

Mas há uma nuance extremamente importante.

Documento do Banco Central enviado ao MPF, revelado posteriormente pelo Metrópoles, registrou que, em relação às operações de crédito consignado originadas pelo próprio Banco Master, historicamente não haviam sido identificados indícios de irregularidades.

A apuração ganhou outro caráter quando apareceram carteiras originadas por terceiros, especialmente as relacionadas à Tirreno. 

Isso impede uma generalização.

Não é tecnicamente correto afirmar que:

“as carteiras do Master eram falsas.”

O que existe é uma investigação sobre determinadas carteiras, determinados originadores e determinadas operações.


O QUE A INVESTIGAÇÃO PASSOU A SUSPEITAR

No início de 2025, a supervisão do Banco Central começou a identificar problemas em cessões de determinadas carteiras.

Segundo reconstrução publicada pela Folha, o BC chamou representantes do Master e do BRB para pedir explicações.

As respostas foram consideradas insuficientes pela supervisão, que aprofundou a análise.

Posteriormente, as informações foram encaminhadas ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal. 

A hipótese investigativa passou a ser grave:

determinadas carteiras de crédito consignado poderiam conter créditos sem existência econômica correspondente.

Em outras palavras, investigadores passaram a apurar se alguns dos direitos creditórios vendidos existiam efetivamente da maneira como haviam sido apresentados.

HIPÓTESE INVESTIGATIVA

A Polícia Federal e outros órgãos passaram a investigar a possibilidade de fabricação ou utilização de carteiras de crédito insubsistentes.

Isso é diferente de uma sentença judicial definitiva.


O BANCO CENTRAL MANDA INTERROMPER AS COMPRAS

Segundo os documentos e reconstruções jornalísticas disponíveis, a supervisão do Banco Central determinou que o BRB interrompesse determinadas aquisições.

O Master então readquiriu ativos anteriormente cedidos.

Um distrato relacionado a essas operações ocorreu em fevereiro de 2025. 

Mas a relação entre os bancos não terminou.

E isso tornaria o caso ainda mais complexo.


ENQUANTO AS CARTEIRAS ERAM QUESTIONADAS, BRB QUERIA COMPRAR O MASTER

Em março de 2025, outra operação foi anunciada.

O BRB pretendia adquirir participação relevante no Banco Master.

A proposta envolvia:

49% das ações ordinárias;

100% das ações preferenciais;

e aproximadamente

58% do capital total.

A operação dependia da autorização do Banco Central.

Isso significa que, naquele momento, existiam simultaneamente duas relações relevantes entre as instituições:

BRB como comprador de carteiras do Master

e

BRB como potencial controlador do Master.

Em setembro de 2025, o Banco Central rejeitou a aquisição.

A compra do banco não aconteceu.

Mas as operações anteriores com carteiras permaneceram.


A CONCENTRAÇÃO COMEÇOU A CHAMAR ATENÇÃO

Uma auditoria encomendada posteriormente pelo próprio BRB passou a examinar como essas operações haviam sido aprovadas internamente.

Segundo informações do relatório divulgadas pela Folha, 83% das transações de aquisição de ativos analisadas nos anos de 2024 e 2025 envolviam ativos relacionados ao Master

A auditoria também apontou problemas potenciais no processo decisório.

Segundo a reportagem, foram identificados episódios de:

aprovações em regime de urgência;

aquisições bilionárias analisadas no mesmo dia;

fragilidades em procedimentos de diligência;

negociações diretas;

e questionamentos internos sobre a continuidade das operações. 

É importante classificar corretamente essa informação.

CONCLUSÃO DE AUDITORIA

Esses elementos derivam de auditoria encomendada pelo próprio BRB e posteriormente noticiada.

Eles não equivalem, automaticamente, a uma condenação criminal dos envolvidos.


A INVESTIGAÇÃO FOI ALÉM

Documentos da investigação da Polícia Federal posteriormente divulgados passaram a tratar especificamente de aproximadamente R$ 12,2 bilhões em transferências relacionadas à compra de créditos cuja regularidade é questionada.

Segundo a PF, o Master enfrentava dificuldades de liquidez e teria utilizado operações envolvendo carteiras atribuídas à Tirreno para captar recursos junto ao BRB. 

Essa é uma das hipóteses centrais da investigação.

HIPÓTESE DA POLÍCIA FEDERAL

A operação teria permitido ao Master obter liquidez por meio da transferência ao BRB de créditos cuja existência ou origem é questionada.

Mas novamente precisamos separar duas coisas:

o fato de o BRB ter comprado as carteiras é documentado;

a alegação de que determinadas carteiras eram fraudulentas integra a investigação.

A responsabilidade de cada pessoa envolvida depende da individualização das condutas e da conclusão dos respectivos procedimentos.


E A PERGUNTA MAIS DIFÍCIL APARECE

Se determinadas carteiras apresentavam problemas, surge inevitavelmente outra questão:

O BRB SABIA?

Essa pergunta muda completamente a natureza jurídica do caso.

Existem, em termos simplificados, cenários muito diferentes.

Em um deles, o BRB poderia ter comprado ativos acreditando que eram legítimos e posteriormente descoberto que havia sido enganado.

Em outro, falhas internas de governança ou diligência poderiam ter permitido aquisições que deveriam ter sido barradas.

Em cenário mais grave, pessoas dentro da instituição poderiam ter conhecimento das irregularidades.

Essas hipóteses não são equivalentes.

E é justamente por isso que não podemos tratar “BRB” como se fosse uma única pessoa.

Uma instituição é formada por:

conselho;

presidência;

diretores;

áreas técnicas;

compliance;

jurídico;

auditoria;

funcionários.

A eventual responsabilidade precisa ser individualizada.


O QUE A JUSTIÇA JÁ REGISTROU

Em decisões relacionadas à investigação, apareceram avaliações severas sobre a atuação de executivos.

Uma decisão da Justiça Federal citada pela Reuters apontou suspeita de “participação consciente” de executivos do BRB nas operações investigadas. A mesma documentação mencionou que as carteiras do Master chegaram a representar cerca de 30% dos ativos do BRB. 

Outra decisão, divulgada pela CNN, reproduziu a hipótese investigativa de que determinadas operações teriam servido para fornecer liquidez ao Master. 

Mas há uma distinção jurídica essencial:

DECISÃO CAUTELAR OU AVALIAÇÃO INVESTIGATIVA NÃO É CONDENAÇÃO DEFINITIVA.

Esses documentos mostram a gravidade das suspeitas que justificaram medidas investigativas.

Não encerram a discussão sobre responsabilidade.


O PRÓPRIO BRB ABRIU UMA AUDITORIA

Depois da deflagração da investigação policial em novembro de 2025, o BRB anunciou a contratação de auditoria externa para apurar os fatos relacionados às operações com o Master. 

Posteriormente, resultados dessa auditoria interna passaram a produzir consequências.

Em abril de 2026, documento do próprio BRB enviado ao mercado registrou reportagens sobre responsabilização de dirigentes decorrente da análise das operações. 

A investigação interna, portanto, acrescentou outra camada ao caso.

Não era mais apenas:

PF investigando Master e BRB.

O próprio BRB passou a investigar como decisões haviam sido tomadas dentro da instituição.


E AGORA O BRB DIZ QUE PODE TER SIDO VÍTIMA

Documentos tornados públicos em setembro de 2026 revelaram uma nova movimentação.

O BRB pediu ao STF a suspensão temporária de determinados efeitos contábeis relacionados aos ativos adquiridos do Master.

A instituição argumenta que é necessário esclarecer a situação real dos ativos antes de reconhecer integralmente determinados impactos.

No pedido, o banco sustenta que não participou de eventuais ilícitos e que pode ter sido vítima de fraude

Essa posição precisa ser registrada.

Mas precisa receber a classificação correta.

ALEGAÇÃO DO BRB

O BRB sustenta que foi vítima.

Isso não é, até o momento, uma conclusão judicial definitiva sobre a instituição ou sobre todos os seus antigos dirigentes.


O PEDIDO CONTÁBIL DO BRB

A questão não é apenas criminal.

Ela também tem consequências contábeis e patrimoniais.

Quando um banco possui um ativo que pode não valer aquilo que estava registrado no balanço, pode ser necessário reconhecer uma provisão ou perda.

Isso reduz resultados e pode afetar patrimônio e indicadores prudenciais.

É por isso que o BRB recorreu ao STF.

O banco pediu suspensão temporária das provisões relacionadas a determinados ativos adquiridos do Master, com exceção do saldo residual da carteira Tirreno já reconhecido como prejuízo.

O argumento é que a situação definitiva desses ativos ainda precisa ser apurada. 

Isso cria outra pergunta bilionária:

QUANTO VALEM HOJE AS CARTEIRAS QUE O BRB COMPROU?

Essa resposta ainda está sendo construída.


POR QUE EXISTEM NÚMEROS DIFERENTES SOBRE AS OPERAÇÕES?

O leitor provavelmente encontrará valores diferentes ao pesquisar o caso.

Isso não significa necessariamente que um deles esteja errado.

Há metodologias e universos distintos.

R$ 22,9 bilhões aparecem em documentação do BRB relativa às carteiras adquiridas do Master e Will Bank entre julho de 2024 e outubro de 2025. 

R$ 16,7 bilhões aparecem em documentação investigativa relacionada a transferências do BRB ao grupo Master em determinado recorte. 

R$ 12,2 bilhões aparecem na frente investigativa relacionada a carteiras cuja origem e regularidade foram especificamente questionadas. 

Outros levantamentos posteriores chegaram a valores superiores quando contabilizaram aquisições e substituições de carteiras com metodologias diferentes. 

Por isso, o Dossiê RBL não utilizará esses valores como intercambiáveis.

Cada número será apresentado junto com o universo ao qual se refere.


O QUE ESTÁ DOCUMENTADO — E O QUE AINDA ESTÁ EM INVESTIGAÇÃO

FATO DOCUMENTADO

O BRB realizou operações bilionárias de aquisição de carteiras relacionadas ao Banco Master e ao Will Bank.

FATO DOCUMENTADO

Documentação divulgada em 2026 aponta aproximadamente R$ 22,9 bilhões em carteiras adquiridas entre julho de 2024 e outubro de 2025. 

FATO DOCUMENTADO

O Banco Central passou a questionar determinadas operações e informações foram encaminhadas às autoridades investigativas. 

HIPÓTESE INVESTIGATIVA

Determinadas carteiras relacionadas à Tirreno poderiam conter créditos sem o lastro declarado. 

CONCLUSÃO DE AUDITORIA

A auditoria encomendada pelo BRB apontou fragilidades e possíveis responsabilidades no processo interno de aquisição das carteiras. 

ALEGAÇÃO DO BRB

A atual posição da instituição é de que não participou de eventuais ilícitos e pode ter sido vítima de fraude. 

AINDA NÃO ESTABELECIDO DEFINITIVAMENTE

A responsabilidade criminal individual de todos os agentes envolvidos, o valor final de eventuais prejuízos e a situação definitiva de todo o conjunto de ativos dependem das investigações e processos correspondentes.


O PONTO CENTRAL DO CAPÍTULO 3

Agora podemos conectar os três primeiros capítulos do Dossiê.

No primeiro, vimos nascer o Banco Master.

No segundo, descobrimos como ele cresceu e por que a liquidez era fundamental para sustentar sua expansão.

Neste terceiro, aparece uma das formas pelas quais ativos podiam ser transformados em dinheiro:

A VENDA DE CARTEIRAS AO BRB.

Isso explica por que essas operações se tornaram tão importantes.

Elas não estavam na periferia do modelo.

Elas tocavam diretamente a relação entre:

ativos, liquidez, balanço e crescimento.

E quando a qualidade de determinadas carteiras começou a ser questionada, o problema deixou de ser apenas:

“quanto o Master possui em ativos?”

A pergunta passou a ser:

ESSES ATIVOS EXISTIAM, VALIAM E PERFORMAVAM COMO HAVIAM SIDO APRESENTADOS?

É dessa pergunta que nasce uma parte decisiva do Caso Banco Master.


MAS AINDA FALTAVA UMA OPERAÇÃO MAIOR

Enquanto o BRB comprava bilhões em carteiras relacionadas ao Master, as duas instituições preparavam um movimento ainda mais ambicioso.

O banco controlado pelo Governo do Distrito Federal pretendia comprar o banco de Daniel Vorcaro.

Se o Banco Central tivesse aprovado a operação, o BRB passaria a deter aproximadamente 58% do capital total do Master.

Mas o regulador disse não.

E entender por que o Banco Central rejeitou essa aquisição é a próxima peça da nossa investigação.


PRÓXIMO CAPÍTULO

CAPÍTULO 4 — A TENTATIVA DE COMPRA DO BANCO MASTER PELO BRB E A ATUAÇÃO DO BANCO CENTRAL

Por que um banco público decidiu comprar o Master?

O que o BRB enxergava na operação?

O que o Banco Central encontrou durante a análise?

Qual era a situação do Master naquele momento?

E por que, em 3 de setembro de 2025, o regulador decidiu impedir o negócio?

No próximo capítulo, o Dossiê RBL entra na decisão regulatória que poderia ter mudado completamente o destino do Banco Master.


LINHA DO TEMPO | MASTER × BRB

Julho de 2024 — começam as aquisições de carteiras. O BRB passa a comprar ativos relacionados ao grupo Master.

Segundo semestre de 2024 — operações ganham escala. A relação entre as instituições passa a movimentar bilhões.

Início de 2025 — Banco Central identifica operações que considera atípicas. A supervisão cobra explicações sobre determinadas cessões. 

Fevereiro de 2025 — determinadas cessões são desfeitas. O Master readquire ativos após questionamentos regulatórios. 

Março de 2025 — BRB anuncia intenção de comprar o Master. A operação depende da autorização do Banco Central.

3 de setembro de 2025 — Banco Central rejeita a aquisição.

Até outubro de 2025 — relação com carteiras chega a R$ 22,9 bilhões no recorte posteriormente informado pelo BRB.

17 de novembro de 2025 — Daniel Vorcaro é preso.

18 de novembro de 2025 — Operação Compliance Zero e liquidação do Master colocam as carteiras no centro da crise.

19 de novembro de 2025 — BRB anuncia auditoria externa sobre as operações relacionadas ao Master.

2026 — auditorias e investigações aprofundam a análise. Processos internos de aquisição, lastro, diligência e responsabilidades passam a ser examinados. 

Julho de 2026 — BRB leva questão dos ativos ao STF. A instituição pede suspensão temporária de determinados efeitos contábeis.

Setembro de 2026 — documentos perdem o sigilo. A dimensão das operações e a tese de que o BRB teria sido vítima tornam-se mais acessíveis ao público. 


REFERÊNCIAS PRINCIPAIS

BRB — documentação e manifestações institucionais. Documentos do banco são essenciais para dimensionar operações, auditoria e atual posição institucional. Um comunicado oficial de abril de 2026 registra os esclarecimentos do banco ao mercado sobre a responsabilização de dirigentes. 

Documentos tornados públicos no STF — setembro de 2026. A documentação revelou o pedido do BRB relacionado às provisões contábeis e sua alegação de que pode ter sido vítima de fraude. 

Polícia Federal / documentos da investigação. Material divulgado em setembro detalha a frente de aproximadamente R$ 12,2 bilhões e a hipótese investigativa relacionada à originação de determinadas carteiras. 

Folha de S.Paulo — novembro de 2025. Reconstrução dos primeiros questionamentos do Banco Central sobre carteiras de crédito e do encaminhamento do caso às autoridades. 

Folha de S.Paulo — março de 2026. Reportagem baseada na auditoria encomendada pelo BRB sobre os procedimentos internos utilizados na aquisição das carteiras. 

Reuters — novembro de 2025. Registra a abertura de auditoria externa pelo BRB e as medidas adotadas após a operação policial. 




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