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A ascensão do Banco Master: como uma instituição relativamente pequena passou a movimentar bilhões

Entre 2021 e 2024, os ativos do Master saltaram de cerca de R$ 10 bilhões para R$ 63 bilhões. CDBs de alta remuneração, crédito, fundos, operações estruturadas, aquisições e cessões de carteiras ajudam a explicar como funcionava a engrenagem financeira.

RBL Magazine / RBL Em Foco
A ascensão do Banco Master: como uma instituição relativamente pequena passou a movimentar bilhões A estratégia de crescimento do Banco Master combinou captação bilionária, CDBs de alta remuneração, expansão do crédito e operações com diferentes classes de ativos.

DOSSIÊ RBL EM FOCO | CASO BANCO MASTER

CAPÍTULO 2

A ascensão do Banco Master: como uma instituição relativamente pequena passou a movimentar bilhões

Entre 2021 e 2024, os ativos do Master saltaram de cerca de R$ 10 bilhões para R$ 63 bilhões. CDBs com remunerações muito acima da média, crédito, fundos de investimento, operações estruturadas, aquisições e cessões de carteiras formaram a engrenagem de um crescimento extraordinariamente rápido. Antes das suspeitas criminais, porém, existe uma pergunta econômica essencial: como esse modelo funcionava — e onde estavam seus riscos?

Por RBL Magazine | RBL Em Foco
Dossiê Caso Banco Master | Capítulo 2
12 de setembro de 2026


DOSSIÊ BANCO MASTER | ONDE ESTAMOS

No primeiro capítulo, a RBL Em Foco voltou às origens do Master: o antigo Banco Máxima, a entrada de Daniel Vorcaro, a transformação da instituição e os acontecimentos que posteriormente levariam o caso ao Banco Central, à Polícia Federal e ao STF.

Agora precisamos entender a máquina financeira.

Como um banco de pequeno porte conseguiu captar dezenas de bilhões de reais em poucos anos?

Este capítulo não trata das suspeitas criminais que surgiriam depois. O objetivo é anterior: compreender a lógica econômica que permitiu ao Master crescer em uma velocidade incomum — e por que essa mesma estrutura tornou a liquidez, a qualidade dos ativos e a capacidade de honrar os passivos questões decisivas.


PRIMEIRO, É PRECISO COLOCAR O TAMANHO DO MASTER EM PERSPECTIVA

Quando o Banco Central decretou a liquidação do Master, em novembro de 2025, fez uma observação que ajuda a dimensionar a instituição.

O conglomerado era classificado oficialmente como de pequeno porte, enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial.

Representava apenas 0,57% dos ativos e 0,55% das captações de todo o Sistema Financeiro Nacional. 

Isso torna a trajetória anterior ainda mais relevante.

O Master não era Itaú, Bradesco, Banco do Brasil ou Santander.

Mas havia construído, em poucos anos, uma estrutura capaz de movimentar dezenas de bilhões de reais.

Segundo levantamento do Dieese baseado nas demonstrações da instituição, entre 2021 e 2024, os ativos totais passaram de aproximadamente:

R$ 10,3 bilhões

para

R$ 63 BILHÕES.

No mesmo período, os depósitos totais teriam avançado de aproximadamente R$ 8,4 bilhões para R$ 59 bilhões, enquanto as operações de crédito cresceram mais de 13 vezes. 

Não foi um crescimento gradual.

Foi uma expansão acelerada.

E para entender como ela aconteceu, precisamos começar pelo combustível dessa máquina.


O COMBUSTÍVEL: CAPTAR DINHEIRO

Um banco funciona, em termos simplificados, fazendo intermediação financeira.

Ele recebe ou capta dinheiro de investidores e depositantes e utiliza esses recursos para realizar operações capazes de gerar retorno.

Uma das formas de fazer isso é o CDB — Certificado de Depósito Bancário.

Quando alguém compra um CDB, está, economicamente, emprestando dinheiro ao banco.

O banco recebe o recurso hoje e assume a obrigação de devolvê-lo no futuro acrescido da remuneração contratada.

Para o banco, portanto, o CDB é uma fonte de financiamento.

E foi justamente nessa fonte que o Master construiu uma parte importante de sua expansão.


A OFERTA DIFÍCIL DE IGNORAR: CDBs DE ATÉ 140% DO CDI

O Master ganhou espaço nas plataformas de investimento oferecendo remunerações significativamente superiores às de muitos concorrentes.

Em determinados momentos, seus CDBs chegaram à faixa de:

140% DO CDI.

Em 2025, enquanto títulos do Master chegavam a esse patamar, outros bancos médios ofereciam aproximadamente 115% do CDI, segundo reportagens da época. 

Para o investidor, a diferença era evidente.

Imagine dois bancos procurando dinheiro.

Um oferece uma remuneração menor.

O outro oferece muito mais.

Mantidas as demais condições, o segundo produto tende a chamar mais atenção.

Mas existe uma consequência para o banco:

juros maiores para o investidor significam custo maior para quem está captando.

Esse é o primeiro ponto fundamental para compreender o Master.

A remuneração elevada ajudava a trazer dinheiro rapidamente.

Ao mesmo tempo, criava a necessidade de utilizar esse dinheiro em operações capazes de produzir retorno suficiente para pagar o custo dessa captação e ainda gerar lucro.


E ENTÃO ENTRA O FGC

Havia outro elemento decisivo na atratividade dos CDBs.

Fundo Garantidor de Créditos — FGC.

Dentro das regras aplicáveis, determinados depósitos e instrumentos bancários contam com cobertura do fundo até os limites estabelecidos.

O teto ordinário é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, observadas as demais condições do sistema.

Na prática, isso modificava a percepção do investidor.

A equação comercial tornava-se extremamente poderosa:

rentabilidade elevada + cobertura do FGC dentro dos limites aplicáveis.

Reportagens posteriores mostraram que plataformas e assessores chegaram a utilizar simultaneamente esses dois argumentos na distribuição dos papéis: a remuneração elevada e a existência da garantia do FGC. Algumas plataformas inclusive calculavam quanto o cliente poderia aplicar para permanecer dentro do limite da cobertura até o vencimento. 

É importante fazer uma distinção.

O FGC não garante que o banco seja saudável.

Ele protege determinados credores elegíveis dentro das regras e limites do fundo caso uma instituição não consiga honrar suas obrigações.

Essa diferença se tornaria crucial posteriormente.


AS PLATAFORMAS AMPLIARAM O ALCANCE DO MASTER

Há algumas décadas, um banco pequeno tinha dificuldade muito maior para alcançar investidores espalhados pelo Brasil.

As plataformas digitais de investimentos mudaram essa estrutura.

Um banco não precisava possuir milhares de agências para distribuir seus CDBs nacionalmente.

Precisava estar nas prateleiras digitais utilizadas pelos investidores.

O Master conseguiu ampla distribuição de seus produtos por esse ecossistema.

Depois da liquidação, reportagens também passaram a examinar as comissões pagas pela distribuição desses papéis. O UOL informou, com base em fontes do mercado, que o Master e subsidiárias chegaram a pagar comissões elevadas às plataformas e assessores; as estimativas citadas pela reportagem variavam conforme as fontes. 

Independentemente da controvérsia posterior sobre os valores exatos, o mecanismo econômico é importante:

taxa atraente → distribuição ampla → entrada de investidores → aumento da captação.

O Master conseguia acessar uma enorme rede de dinheiro sem precisar construir uma rede bancária física comparável à dos grandes bancos.


EM 2024, O TAMANHO DA CAPTAÇÃO JÁ ERA BILIONÁRIO

As demonstrações financeiras de 2024 mostram a dimensão que essa estratégia havia alcançado.

Somente os CDBs representavam aproximadamente:

R$ 30,87 BILHÕES.

Somados a outros instrumentos, depósitos a prazo e depósitos interfinanceiros estavam entre as principais fontes de recursos do conglomerado. O balanço divulgado naquele momento indicava aproximadamente R$ 49,3 bilhões nessas duas categorias. 

O dinheiro entrava.

A próxima questão era inevitável:

O QUE O MASTER FAZIA COM ESSE DINHEIRO?


DO OUTRO LADO DA EQUAÇÃO ESTAVAM OS ATIVOS

Captar dinheiro não é, por si só, um negócio lucrativo.

É uma obrigação.

O banco precisa transformar os recursos captados em ativos e operações que produzam retorno.

Nas demonstrações financeiras de 2024, o próprio Master dizia que seus resultados estavam relacionados à expansão da carteira de crédito, às operações estruturadas, às cessões de carteiras e aos investimentos e aquisições realizados. 

O conglomerado atuava em diferentes frentes.

Crédito ao varejo.

Crédito corporate.

Direitos creditórios.

Precatórios.

Fundos de investimento.

Operações estruturadas.

Participações e aquisições.

Cessões de carteiras.

Essa diversificação é importante porque o Master não funcionava simplesmente como um banco tradicional que capta depósitos e concede empréstimos convencionais.

Sua estrutura financeira era consideravelmente mais complexa.


FUNDOS PASSARAM A OCUPAR UM ESPAÇO IMPORTANTE

O próprio Banco Master informou que fundos como FIDCs, FIMs e FIAs eram utilizados como veículos para crédito corporate e operações estruturadas.

No balanço prudencial, inclusive, determinadas carteiras dos FIDCs eram incorporadas à posição consolidada do conglomerado. 

Um levantamento do Dieese sobre as demonstrações de 2024 estimou que ativos alocados em fundos de investimento representavam aproximadamente 31% dos ativos totais, cerca de R$ 19,56 bilhões

Esse número é importante.

Porque agora chegamos ao segundo conceito essencial deste capítulo.

LIQUIDEZ.


UM ATIVO PODE VALER MUITO NO PAPEL E NÃO VIRAR DINHEIRO RAPIDAMENTE

Imagine que alguém possua um imóvel avaliado em US$ 1 milhão.

Essa pessoa possui patrimônio.

Mas isso não significa que consiga transformar o imóvel em US$ 1 milhão em dinheiro amanhã de manhã.

Talvez seja necessário encontrar comprador.

Negociar.

Aceitar desconto.

Esperar meses.

Esse é um exemplo simples da diferença entre:

valor de um ativo

e

liquidez de um ativo.

Em um banco, essa diferença é crucial.

Porque os investidores e credores têm datas para receber.

O banco precisa ter caixa suficiente quando suas obrigações vencerem.

Se uma parte relevante dos ativos é difícil de vender rapidamente, pode surgir um problema mesmo que contabilmente exista patrimônio.


O PRÓPRIO MASTER IDENTIFICAVA O RISCO DE LIQUIDEZ

Nas demonstrações financeiras de dezembro de 2024, o banco definia risco de liquidez como a possibilidade de não conseguir honrar obrigações esperadas e inesperadas, presentes ou futuras, nas condições contratadas.

O documento dizia que a instituição acompanhava diariamente prazos, volumes e liquidez das carteiras e realizava testes de estresse. 

Os números apresentados naquele balanço permitem observar a estrutura temporal.

A carteira de crédito consolidada somava aproximadamente R$ 40,38 bilhões.

Desse total, cerca de R$ 4,04 bilhões tinham horizonte de até um ano.

Enquanto isso, aproximadamente R$ 30,26 bilhões estavam distribuídos entre dois anos e mais de cinco anos. 

Isso não significa automaticamente que havia irregularidade ou insolvência.

Bancos administram diferenças de prazo entre ativos e passivos rotineiramente.

Mas significa que a gestão de liquidez era fundamental.

Quanto mais cara a captação e menos líquidos determinados ativos, menor pode ser a margem para enfrentar choques.


O CÍRCULO QUE PRECISAVA CONTINUAR FUNCIONANDO

Agora podemos visualizar a engrenagem econômica:

1. O Master oferecia CDBs com remuneração elevada.

2. Investidores compravam esses títulos.

3. O banco recebia bilhões em recursos.

4. Esses recursos eram direcionados para crédito, fundos, direitos creditórios, precatórios, operações estruturadas, aquisições e outros ativos.

5. Esses ativos precisavam gerar retorno suficiente para pagar a captação.

6. E o banco precisava manter liquidez suficiente para honrar os vencimentos.

Enquanto essa engrenagem funciona, o crescimento pode ser extraordinário.

O problema aparece quando uma das peças começa a perder velocidade.


O BALANÇO DE 2024 MOSTRAVA UM BANCO EM EXPANSÃO

Externamente, os números eram impressionantes.

O Master divulgou para 2024:

R$ 63 bilhões em ativos;

R$ 4,74 bilhões em patrimônio líquido;

R$ 1,068 bilhão de lucro líquido;

e crescimento de aproximadamente

75% nos ativos em apenas um ano.

O lucro havia dobrado em relação aos R$ 532 milhões de 2023. 

As receitas de intermediação financeira chegaram a aproximadamente R$ 7,2 bilhões, enquanto as receitas de crédito avançaram para cerca de R$ 4,2 bilhões

Naquele balanço, a própria administração descrevia o crescimento como sustentável e informava Índice de Basileia de 11,51%

Vista apenas por esses indicadores, a fotografia era de expansão.

Mas o sistema financeiro não é analisado apenas pelo tamanho do balanço.

É preciso perguntar também:

qual é a qualidade dos ativos?

quanto tempo leva para transformá-los em caixa?

quanto custa o dinheiro captado?

e o que acontece se a captação desacelerar?


O RISCO ESTAVA NA RELAÇÃO ENTRE AS DUAS PONTAS

Aqui está a parte mais importante para compreender o que aconteceria depois.

Não basta observar os ativos.

Também não basta observar os CDBs.

O risco econômico aparece na relação entre:

PASSIVOS × ATIVOS × PRAZO × LIQUIDEZ × CUSTO.

De um lado, o Master havia captado dezenas de bilhões.

Do outro, possuía uma carteira crescente de ativos, alguns complexos e de menor liquidez.

O Dieese observou posteriormente que parte relevante dos ativos vinculados a fundos não possuía negociação ativa em mercado secundário, o que poderia tornar sua conversão em caixa dependente de prazos maiores ou condições específicas. 

Isso não prova fraude.

Também não significa que todos esses ativos fossem problemáticos.

Significa algo mais específico:

a estrutura exigia uma administração extremamente cuidadosa da liquidez.


E O BANCO CENTRAL COMEÇOU A OLHAR MAIS DE PERTO

É aqui que nossa história muda.

Em maio de 2026, já depois da liquidação, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, explicou ao Senado um dos movimentos que despertaram a atenção do regulador.

Segundo ele, em janeiro de 2025, o Master começou a formar novas carteiras de investimentos enquanto enfrentava dificuldades de liquidez.

O Banco Central então criou um grupo específico para analisar essas carteiras. 

A observação de Galípolo é economicamente importante porque sintetiza o problema:

quando uma instituição está pressionada por liquidez, a criação acelerada de novos ativos precisa ser compreendida em conjunto com sua necessidade de caixa.

Era o início de uma mudança.

O crescimento deixava de ser apenas uma história de expansão.

Passava a ser também uma questão de supervisão.


E HAVIA OUTRO BANCO ENTRANDO NA EQUAÇÃO

Enquanto isso, uma relação crescia em importância:

BRB × BANCO MASTER.

Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o Banco de Brasília adquiriu aproximadamente R$ 22,9 bilhões em carteiras de crédito do Master e do Will Bank, segundo documentação apresentada posteriormente pelo próprio BRB ao STF. 

Esse mecanismo merece atenção.

Quando um banco vende uma carteira de crédito para outro, transforma ativos que receberia ao longo do tempo em recursos mais imediatos.

Em outras palavras:

cessão de carteira também pode gerar liquidez.

Portanto, para entender o Master, não basta acompanhar quanto dinheiro entrava por CDBs.

Também precisamos acompanhar:

quais ativos eram criados;

como eram avaliados;

para quem eram vendidos;

e quanto dinheiro retornava ao banco através dessas operações.

Essa será uma das chaves do próximo capítulo.


O QUE SABEMOS ATÉ AQUI — SEM ENTRAR NAS SUSPEITAS CRIMINAIS

Neste ponto do Dossiê, podemos estabelecer alguns fatos econômicos sem antecipar conclusões das investigações posteriores.

FATO DOCUMENTADO

O Master cresceu de aproximadamente R$ 10,3 bilhões em ativos em 2021 para R$ 63 bilhões em 2024. 

FATO DOCUMENTADO

CDBs com remunerações que chegaram a aproximadamente 140% do CDI tiveram papel importante na captação. 

FATO DOCUMENTADO

Ao final de 2024, o balanço indicava aproximadamente R$ 30,87 bilhões em CDBs. 

FATO DOCUMENTADO

O banco utilizava fundos, crédito corporate, direitos creditórios, precatórios e operações estruturadas como parte de sua estratégia de ativos. 

FATO DOCUMENTADO

Parte relevante dos ativos estava associada a fundos e instrumentos cuja liquidez e avaliação exigiam acompanhamento. 

FATO DOCUMENTADO

O Banco Central passou a analisar especificamente novas carteiras formadas pelo Master em 2025, segundo relato posterior de seu presidente ao Senado. 

Nada disso, isoladamente, demonstra crime.

Mas tudo isso explica por que a composição dos ativos e a liquidez do Master se tornaram assuntos centrais.


A DISTINÇÃO QUE O DOSSIÊ RBL VAI MANTER

Há um erro fácil de cometer quando conhecemos o final da história.

Olhar para todas as operações anteriores como se, desde o início, elas fossem necessariamente fraudulentas.

Não é assim que uma reconstrução jornalística responsável deve funcionar.

CDB com remuneração elevada não é, por definição, fraude.

Cessão de carteira não é, por definição, fraude.

FIDC não é, por definição, fraude.

Precatório não é, por definição, ativo irregular.

Operação estruturada não é, por definição, ilícita.

O que posteriormente passou a ser investigado foi como determinadas operações foram constituídas, avaliadas, documentadas, transferidas e utilizadas.

Essa distinção é essencial.

Primeiro precisamos compreender o mecanismo financeiro legítimo.

Depois podemos examinar onde as autoridades afirmam ter encontrado problemas.


O PONTO DE VIRADA

O Banco Master havia construído uma máquina capaz de captar bilhões.

Possuía acesso às grandes plataformas de investimentos.

Oferecia remunerações difíceis de ignorar.

Expandia crédito.

Utilizava fundos e operações estruturadas.

Comprava instituições.

Vendia carteiras.

E apresentava crescimento acelerado do balanço.

Mas todo esse sistema dependia de uma condição:

O DINHEIRO PRECISAVA CONTINUAR CIRCULANDO.

O custo da captação precisava ser pago.

Os ativos precisavam produzir retorno.

As carteiras precisavam manter valor.

E o banco precisava possuir liquidez para honrar seus compromissos.

Quando essa equação começou a ser questionada pelo regulador, o Master entrou em outra fase.

Em novembro de 2025, o Banco Central acabaria decretando sua liquidação, citando oficialmente grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional. 

Mas entre o crescimento e a liquidação existe uma peça de R$ 22,9 bilhões que precisamos compreender.


O PRÓXIMO CAPÍTULO

CAPÍTULO 3 — MASTER E BRB: OS R$ 22,9 BILHÕES EM CARTEIRAS QUE SE TORNARAM PEÇA CENTRAL DO CASO

O que o BRB comprou do Banco Master?

Como funcionavam as cessões de carteiras?

Por que essas operações forneciam liquidez ao Master?

O que o banco público acreditava estar adquirindo?

E em que momento determinadas carteiras passaram a ser questionadas pelo Banco Central e, posteriormente, investigadas pela Polícia Federal?

No próximo capítulo, o Dossiê RBL Em Foco entra na relação financeira que transformaria uma crise de um banco privado em um problema de bilhões envolvendo também uma instituição controlada pelo poder público.


LINHA DO TEMPO | A ASCENSÃO DO BANCO MASTER

2021 — O Master ainda possui aproximadamente R$ 10,3 bilhões em ativos. A transformação do antigo Banco Máxima ganha escala sob a nova marca. 

2021–2024 — A captação acelera. CDBs de alta remuneração ajudam a financiar a expansão do balanço e das operações de crédito.

2024 — Os ativos chegam a R$ 63 bilhões. Em apenas três anos, o tamanho do balanço aumenta aproximadamente seis vezes. 

2024 — CDBs chegam a R$ 30,87 bilhões. O instrumento torna-se uma das peças centrais da estrutura de financiamento do conglomerado. 

2024 — Master registra lucro de R$ 1,068 bilhão. O resultado divulgado é aproximadamente o dobro do registrado em 2023. 

2024 — Ativos em fundos ganham peso. Levantamento posterior do Dieese estima cerca de R$ 19,56 bilhões alocados nessa categoria. 

Julho de 2024 a outubro de 2025 — BRB compra carteiras. O volume posteriormente informado chega a aproximadamente R$ 22,9 bilhões em ativos do Master e Will Bank. 

Janeiro de 2025 — BC intensifica o acompanhamento. Segundo Gabriel Galípolo, a formação de novas carteiras em contexto de dificuldade de liquidez leva o regulador a criar um grupo específico para analisá-las. 

2025 — CDBs do Master continuam chegando a cerca de 140% do CDI. Papéis aparecem inclusive no mercado secundário com taxas muito elevadas. 

18 de novembro de 2025 — Banco Central decreta a liquidação. A autoridade monetária cita grave crise de liquidez, comprometimento significativo da situação econômico-financeira e graves violações às normas do sistema financeiro. 


REFERÊNCIAS E DOCUMENTOS

Banco Master — Demonstrações Financeiras consolidadas de 2024. Documento primário utilizado para composição dos ativos, passivos, CDBs, carteira de crédito, risco de liquidez, fundos e indicadores prudenciais. 

Demonstrações Financeiras do Banco Master — 2024

Banco Central do Brasil — Nota oficial de 18/11/2025. Documento primário sobre porte do conglomerado, participação no SFN e fundamentos oficiais para a liquidação. 

Banco Central — liquidação extrajudicial do Banco Master

Banco Central — Comunicado nº 44.234/2025. Ato formal relativo à liquidação do Banco Master S.A. 

Comunicado nº 44.234 do Banco Central

Agência Brasil — audiência de Gabriel Galípolo no Senado, maio de 2026. Relato do presidente do BC sobre o momento em que novas carteiras do Master chamaram a atenção da supervisão. 

Galípolo explica o que chamou a atenção do Banco Central

Dieese — Nota Técnica sobre o Caso Banco Master. Análise da evolução dos ativos, depósitos, crédito, fundos e riscos de liquidez. 

Nota Técnica do Dieese sobre o Banco Master

Estadão/UOL — balanço de 2024. Registro contemporâneo dos resultados divulgados pela instituição e da estratégia declarada para o crescimento. 

Balanço de 2024 do Banco Master

Reuters — resultados de 2024. Dados sobre lucro, patrimônio, receitas e aquisições. 

UOL — distribuição dos CDBs. Reportagem posterior sobre comissões e distribuição dos títulos por plataformas de investimento. 




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