Entre Laços & Ausências | Angela Mazzotti Mestriner
Felizes para sempre: a felicidade, as mudanças e os caminhos da análise
Felizes para sempre: a felicidade, as mudanças e os caminhos da análise
Felizes para sempre: a felicidade, as mudanças e os caminhos da análise
“Ser feliz para sempre é o final que todos nós sonhamos para a nossa história pessoal.”
Martha Medeiros abre a crônica Felizes para sempre, publicada no livro Montanha-Russa (2001), tocando em um desejo bastante conhecido: encontrar um desfecho feliz para a nossa história. Há, porém, um pequeno detalhe. Como a própria autora observa, “a felicidade muda de significado várias vezes durante o percurso de uma vida”.
Aquilo que um dia pareceu suficiente pode deixar de fazer sentido. Escolhas que considerávamos definitivas podem ser revistas, e caminhos que sequer imaginávamos podem passar a existir como possibilidades. Nem sempre é fácil reconhecer essas mudanças, sobretudo quando nos vemos diante da necessidade de questionar certezas que nos acompanharam por muito tempo.
Um dos receios que pode acompanhar a entrada em análise é justamente a possibilidade de perder algumas dessas certezas. O fantasma de que a vida vai virar de cabeça para baixo pode tornar esse encontro ameaçador, como se olhar para si implicasse, necessariamente, romper com tudo o que foi construído até então.
Mas a análise não é uma montanha-russa cujo percurso já está definido, com subidas, descidas e um ponto de chegada conhecido. É um caminho que vai sendo construído no encontro entre analista e analisando, a partir das perguntas que surgem, das repetições que podem ser reconhecidas e dos sentidos que, pouco a pouco, se abrem à reflexão.
Martha Medeiros escreve que, mesmo diante de escolhas aparentemente definitivas, podemos “excursionar por dentro de nós mesmos e descobrir lugares desabitados em que nunca colocamos os pés, nem mesmo em imaginação”.
Talvez uma das possibilidades da análise esteja justamente aí: descobrir que existem lugares ainda desconhecidos em nós e que aquilo que parecia ter um único significado pode ser pensado de outras maneiras. Isso não significa que toda mudança precise resultar em um rompimento concreto. Às vezes, um recomeço acontece quando algo se transforma na nossa posição diante de uma relação, de uma escolha ou de uma história que contávamos a nós mesmos.
Se a felicidade não conserva necessariamente o mesmo significado ao longo da vida, talvez também não exista um único caminho capaz de conduzir a ela. O percurso não vem pronto, e reconhecer outras possibilidades não significa ter de segui-las imediatamente.
Você já se sentiu no piloto automático, sem saber exatamente em que direção estava indo ou sem sequer cogitar que outros caminhos pudessem existir?
Se você sente que está vivendo no piloto automático ou se pergunta se existem outras maneiras de se posicionar diante da própria história, a análise pode ser um espaço para explorar essas questões.
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Referência: MEDEIROS, Martha. “Felizes para sempre”. In: Montanha-Russa. 2001
Artigo publicado originalmente em https://www.angelapsi.com.br/post/felizes-para-sempre-a-felicidade-as-mudancas-e-os-caminhos-da-analise dia 05/11/2026



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