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Entre Laços & Ausências | Angela Mazzotti Mestriner

Psicanálise para brasileiros no exterior: por que escolher a análise quando morar fora não basta para se sentir bem?

Por que escolher a análise quando morar fora não basta para se sentir bem?


Psicanálise para brasileiros no exterior: por que escolher a análise quando morar fora não basta para se sentir bem?

Angela Mazzotti Mestriner

Psicanalista – Psicóloga Intercultural*


“Como funciona a análise?”

Umapergunta que escuto com frequência.

Mesmodepois de 19 anos de clínica, ainda me faz pensar em como responder. Nem sempreé simples explicar. Talvez seja justamente esse o ponto.

Oscaminhos de um tratamento analítico não estão pré-estabelecidos.

Caminhamosjuntos para dar sentido ao que você vive hoje, a partir da escuta da suaprópria história, compreendendo os fios que ligam o que se passou com o quevocê sente e vive hoje.

 

O que acontece nas sessões?

Na análise, a associação livre é uma regra fundamental: falarsobre aquilo que vier à mente, sem precisar organizar previamente o que serádito ou selecionar apenas aquilo que parece importante. É por meio da palavraque pensamentos, lembranças, sentimentos e associações podem encontrar espaçopara serem escutados. A psicanálise, criada por Freud, é associada à ideia deuma “cura pela palavra”: falar, recordar, repetir, construir sentidos e poderescutar de outro modo aquilo que nos acontece.

“Existemperguntas para antever o futuro. E outras para construí-lo.”  (Milman, 2025, p. 167)

Quandoabrimos as portas para esses questionamentos, não sabemos de antemão para ondeeles nos levarão.

Aindaassim, fazemos isso em busca de respostas, inclusive daquelas que talvez nãosejam exatamente as que desejávamos encontrar.

 

É possível fazer análise online? E o divã?

Ésim possível fazer análise online. Embora o divã seja um símbolo muito ligado àpsicanálise, ele é apenas um dos seus recursos.

Oque diferencia a técnica psicanalítica de outras técnicas é a escuta e a formade trabalho. A associação livre como forma de acesso ao inconsciente.

Nemtodos os pacientes se sentem confortáveis em usar o divã, mesmo no atendimento presenciale isso não impede uma análise de acontecer.

 

Fica a dúvida: será que a psicanálise é para mim?

Algunsquestionamentos são mais comuns do que imaginamos. Você provavelmente já se fezalguma destas perguntas:

“Porque continuo repetindo o mesmo padrão?”

“Conseguio que queria, mas não me sinto feliz.”

“Seique não quero mais agir assim, mas, sem perceber, repito mesmo assim.”

Apsicanálise nos convida a compreender esses movimentos internos comprofundidade, sem respostas prontas.


“Às vezes, aceitar a confusão pode nos levar a lugares inesperados. Osparadoxos fazem parte desse jogo. Eles mostram que algumas perguntas valem maispelo que nos fazem pensar do que pelo que nos fazem responder.” (Milman,2025, p. 94-95)

 

Iniciamos(sim, no plural, analista e analisando) essa jornada como uma aposta nastransformações que esse trabalho pode produzir.

Umaaposta sustentada na escuta, na teoria e no método.

Umaaposta nos questionamentos.

 

E, durante o tratamento, você irá me dizer o que fazer?

Naânsia de se ver livre do sofrimento, vem o pedido:

“Podeme dizer, eu sei que você já sabe!”

Muitosanalistas já escutaram esse convite.

Nãorespondemos porque não temos uma resposta pronta.

Naanálise, o ponto de chegada é construído sessão a sessão. Não nasce pronto.

Quandoa resposta se constrói de dentro para fora, de forma singular, a partir dacompreensão da sua história, a mudança ganha outro sentido. Tende a ser maisautêntica, profunda e sustentável ao longo do tempo.

 

E de onde virão essas respostas?

Háverdades que sabemos sem saber que sabemos. Se em um lugar psíquico sabemos, nooutro permanecemos desconhecendo. Se, por vezes, reconhecemos, isso nãosignifica que saibamos imediatamente o que fazer com aquilo que encontramos.

Esse é um dos cenários das salas de análise: encontrar as tais “verdades” quenos habitam e, principalmente, encontrar os endereçamentos que podemos dar aelas.

Muitas dessas descobertas nos pegam de surpresa. Ainda que essas verdades sejamnossas. Ainda que já estivessem, de alguma maneira, morando em nós, parecem tervindo de surpresa.

Entrarem contato com as nossas verdades abre espaço para fazer escolhas de fato, paracompreender quais caminhos realmente nos fazem sentido. Sair do pilotoautomático.

 

Por que psicanálise e não outra abordagem quando se mora fora?

Aocontrário de outras terapias que te ajudam a manejar a ansiedade de estar fora,a psicanálise te ajuda a entender por que, mesmo tendo conquistado o que queriafora, você continua com alguns sentimentos que já tinha no Brasil. Por vezes,exatamente aqueles que você imaginava que com a migração iriam se resolver.

Levamosconosco lembranças, formas de amar, medos, expectativas, histórias familiares,perdas, sonhos e maneiras de compreender o mundo. Nada disso passa pelaalfândega. E, ainda assim, é justamente essa bagagem que mais pesa durante aadaptação.

Juntos,vamos olhar para essa bagagem que passa despercebida.



Seria então a análise esse lugar para sustentarmos as perguntas pelo tempoque for necessário para que algo novo e, por vezes, inesperado, possa surgir?

SeCazuza queria “pagar a conta do analista para nunca mais ter que saber quem eusou”, temos um paradoxo aí: depois de saber um pouco mais sobre si, já não étão simples voltar a não saber.

Arriscodizer que ficamos habitados pela sensação de obviedade do que era desconhecidoe pela ideia do “como eu nunca tinha percebido isso antes?”.

Ficoucom vontade de saber como isso funcionaria para você? Ou com mais algumquestionamento sobre a análise? Me escreva para conversarmos sobre como umtrabalho analítico poderia se dar no seu caso.


Sou Angela Mazzotti Mestriner, Psicanalista e Psicóloga Clínica e Intercultural.


Atuo desde 2007 com escuta qualificada, atendendo tanto presencialmente emCaxias do Sul quanto online para brasileiros no exterior.

 

 *Psicóloga CRP 07/15.556 (Universidade de Caxias do Sul),Psicanalista (Instituição Psicanalítica Constructo), Associado EfetivoInstituição Psicanalítica Constructo, Especialista em Psicologia Clínica –Abordagem Psicanalítica do Sujeito Contemporâneo (Universidade de Caxias doSul), Formação em Psicologia Intercultural na Prática Clínica para Brasileirosno Exterior (FaCiência – Psi Terapia no Exterior). Autora do capítuloIsolamento social e solidão no processo migratório em Mentes Imigrantes.

WhatsApp:+55 54 999 32 18 54 -  wa.link/3u92yq



Referências:
CAZUZA. (1988) Ideologia.

Freud,Sigmund. (1912/1996) Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise. In: Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas deSigmund Freud, VOL. XII. Rio de Janeiro: Imago

Freud,Sigmund. (1913/1996) Sobre o início do tratamento. (Novas recomendações sobre atécnica da psicanálise I).  In: Edição Standard Brasileira das ObrasPsicológicas Completas de Sigmund Freud, VOL. XII. Rio de Janeiro: Imago

Mestriner,M. A. (2026) Isolamento Social e Solidão no Processo Migratório em MentesImigrantes

Milman,Tulio (2025) Onde estás? – Porto Alegre: Citatel





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