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Entre Laços & Ausências por Angela Mazzotti Mestriner

Falar sobre suicídio: a importância da escuta e da prevenção

Suicídio: Escuta e Prevenção

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Falar sobre suicídio: a importância da escuta e da prevenção

Por que precisamos abrir espaço para essa conversa?

Angela MazzottiMestriner *

Psicanalista –Psicóloga Intercultural 

Falar sobre suicídio ainda é difícil.

É um assunto que nos coloca diante de algo para o qual nem sempre temos respostas. Diante do sofrimento do outro, podemos sentir medo de dizer a coisa errada, de não saber o que fazer ou até de piorar a situação.

O suicídio ainda é um assunto cercado de tabus. É um tema dolorido de ser abordado, permeado de mitos e de incertezas e que muitas vezes permanece em silêncio.

Segundo o Boletim epidemiológico de 2024 do Ministério da Saúde (estudo mais recente com dados consolidados) no Brasil, em 2021, foram registrados aproximadamente 15,5 mil suicídios. Isso representa aproximadamente 42 mortes por dia. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), no mundo são mais de 727 mil mortes por suicídio a cada ano (dados publicados em 2025, tendo como base o ano 2021).

Falar sobre suicídio é abrir um espaço para a escuta

Setembro é um mês para ampliar a conversa sobre prevenção ao suicídio. Ainda é comum a ideia de que o melhor é não falar sobre isso, como se falar sobre o assunto pudesse incentivar de alguma forma, dar a ideia ou até mesmo sugerir essa possibilidade.

As campanhas de prevenção têm buscado justamente mudar essa perspectiva. O tema da campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) para 2024-2026 é “Changing the narrative on suicide” (“Mudar a narrativa sobre o suicídio”), com o convite, em 2026, para “Start the Conversation” (“Começar a conversa”).

Propostas que valorizam a escuta, a mudança de narrativa e a valorização da vida buscam enfrentar mitos e estigmas e favorecer um diálogo aberto, empático e responsável sobre o assunto.

São abordagens que nos convidam a quebrar os tabus que envolvem o assunto, desmistificar a conversa sobre suicídio e possibilitar um olhar para isso de forma honesta e sensível.

O convite é abrir espaço para falar sobre aquilo que muitas vezes permanece em silêncio.

Não é uma conversa fácil, como tampouco é fácil o peso do silêncio.

Quando uma ideia ou um sofrimento é colocado em palavras, nomeado e compartilhado com alguém, isso abre espaço de escuta, espaço de repensar. Isso não significa que a situação se resolva simplesmente porque foi falada. Ao poder dividir um “problema sem saída” a pessoa pode vir a olhar para isso com outra dimensão, se ver acolhida e com outras possibilidades frente à sua dor, facilitando a busca de ajuda.

O que eu poderia ter feito?

Quando uma fatalidade acontece é comum que as pessoas se questionem:

O que eu poderia ter feito?

O que eu não vi?

O que eu não ouvi?

Essas são perguntas que podem vir acompanhadas de sentimento de culpa, em uma tentativa de encontrar, de forma retrospectiva, sinais que poderiam ter sido percebidos.

Infelizmente, nem sempre é possível reconhecer o sofrimento de alguém. Algumas pessoas conseguem mascarar profundamente aquilo que estão vivendo, enquanto outras podem não conseguir sequer encontrar palavras para expressar o que sentem.

O silêncio pode isolar. Trazer à tona essa conversa é abrir espaço para que o sofrimento possa ser reconhecido, para que alguém possa dizer que não está bem e para que a ajuda possa ser buscada.

Falar sobre prevenção ao suicídio também é falar da importância de estarmos disponíveis a escutar.

Presença e escuta importam

Neste Setembro Amarelo, o convite é para estarmos mais atentos uns aos outros.

Mais do que dar uma resposta certa, preocupe-se em escutar. Muitas vezes, as pessoas estão buscando apoio e a segurança de saber que é possível compartilhar o que estão sentindo.

Se você percebeu uma mudança importante em alguém próximo, não tenha medo de perguntar como essa pessoa está e de se colocar disponível para escutar.

E, se você estiver passando por um momento em que tudo parece sem saída, procure ajuda profissional e não permaneça sozinho com esse sofrimento.

Permita que alguém esteja com você nesse momento.

Nunca é demais lembrar que:

Sofrimento não é frescura.

Buscar ajuda não é fraqueza.

Falar sobre o que está acontecendo não é motivo de vergonha.

Falar pode ser difícil.
Mas o silêncio não precisa ser a única possibilidade.

No Brasil, o CVV atende pelo telefone 188, gratuitamente, 24 horas por dia.

Nos EUA você conta com o 988 Suicide & Crisis Lifeline.

Você não precisa encontrar todas as respostas sozinho.

 

Se você está em risco imediato ou acredita que alguém esteja em perigo, procure também um serviço de emergência ou atendimento de saúde presencial.

 

Fonte: Organização Mundial da Saúde OMS

https://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/suicide

https://www.who.int/publications/i/item/9789240110069

 

Fonte: Ministério da Saúde - Boletim epidemiológico 2024 Vol. 55 Nº4

https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/edicoes/2024/boletim-epidemiologico-volume-55-no-04.pdf


* Psicóloga CRP 07/15.556 (Universidadede Caxias do Sul), Psicanalista (Instituição Psicanalítica Constructo), AssociadoEfetivo Instituição Psicanalítica Constructo, Especialista em PsicologiaClínica – Abordagem Psicanalítica do Sujeito Contemporâneo (Universidade de Caxiasdo Sul), Formação em Psicologia Intercultural na Prática Clínica paraBrasileiros no Exterior (FaCiência – Psi Terapia no Exterior)


Artigo originalmente publicado em: https://www.angelapsi.com.br/post/falar-sobre-suicidio-a-importancia-da-escuta-e-da-prevencao

 

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