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Entre Laços & Ausências

Desafios do retorno das férias no Brasil

Retorno das férias e não pertencimento

Imagem: Freepik
Desafios do retorno das férias no Brasil

"Nem aqui, nem lá": o que acontece quando nem o Brasil nem o exterior parecem mais sua casa

Angela MazzottiMestriner

Psicanalista – Psicóloga Intercultural*

 

Essas férias de fim de ano trouxeram muitos brasileiros de volta ao país para rever família e amigos. O momento de retorno pós férias é de um sentimento duplo, pois mais uma vez há uma separação, o retorno à rotina e também uma constatação de que a vida de hoje já não é mais aquela que se tinha no Brasil (sentindo isso como alívio e peso ao mesmo tempo). Na volta levam na bagagem uma tristeza de estar novamente vivendo esse luto do que se deixou para trás.

Na maior parte das vezes, a rotina vai se retomando, a saudade vai amenizando e as coisas voltam a como estavam antes das férias, com os seus desafios, mas também com o reconhecimento dos ganhos que se tem no país onde se escolheu morar.

"Nem aqui, nem lá"

Algumas pessoas experimentam um sentimento de que o seu país de destino não é a sua casa e o Brasil também já não é mais a sua casa. Se sentem diferentes, não se encaixam mais na vida que levavam aqui, mas também não se sentem inseridos o suficiente no seu novo país para senti-lo como casa.

A cultura, os hábitos, até mesmo algumas das questões alimentares já não são as mesmas de antes de partir. Para outras pessoas o mundo todo é sentido como casa, facilmente se adaptam, quase como se não estivessem deixando nada para trás, não importando de onde estão partindo.

Os movimentos de aculturação acontecem de maneira muito individual e em tempos diferentes para cada sujeito.

Nas visitas e reencontros também pode haver uma percepção de como as coisas se reestruturaram após a sua partida para outro país, o sentimento de que a vida seguiu sem você e, para algumas pessoas, essa percepção gera sentimentos contraditórios.

Os reencontros trazem à tona lembranças, relações e vivências que estavam adormecidas e, dependendo de como isso está internamente, o processo de retorno pode ficar mais difícil.

Quando o desconforto pede atenção

Se após a volta você nota choro frequente, tristeza persistente, dificuldade de retomar as atividades, alterações grandes no sono ou sensação de que “nada faz mais sentido”, vale prestar atenção. Nem sempre é “só saudade”. Pode ser um luto migratório mais profundo precisando de escuta qualificada.

 

Onde eu volto para casa?

Se você está se perguntando 'onde é minha casa agora?', ou simplesmente sentindo esse vazio entre dois mundos, lembre-se a primeira casa é dentro de você mesmo e a psicanálise pode ajudar a dar nome, sentido e novo lugar a esses sentimentos. Estou aqui para caminhar junto com você, em português, de forma online e acolhedora. Me conte como foi (ou está sendo) a sua volta.

 

*Psicóloga CRP 07/15.556 (Universidade de Caxias do Sul),Psicanalista (Instituição Psicanalítica Constructo), Associado EfetivoInstituição Psicanalítica Constructo, Especialista em Psicologia Clínica –Abordagem Psicanalítica do Sujeito Contemporâneo (Universidade de Caxias doSul), Formação em Psicologia Intercultural na Prática Clínica para Brasileirosno Exterior (FaCiência – Psi Terapia no Exterior). Autora do capítuloIsolamento social e solidão no processo migratório em Mentes Imigrantes.

WhatsApp:+55 54 999 32 18 54 -  wa.link/3u92yq


Artigo originalmente publicado no blog https://www.angelapsi.com.br/post/nem-aqui-nem-la-o-que-acontece-quando-nem-o-brasil-nem-o-exterior-parecem-mais-sua-casa



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