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Entre Laços & Ausências por Angela Mazzotti Mestriner

Relacionamento abusivo: quando uma escolha deixa de ser uma escolha?

Relacionamentos Abusivos

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Relacionamento abusivo: quando uma escolha deixa de ser uma escolha?

Relacionamento abusivo: quando uma escolha deixa de ser uma escolha?

Nem todo relacionamento abusivo começa com um grito.

Às vezes começa com pequenas renúncias.

Uma roupa que você deixa de usar.

Um amigo que você vê cada vez menos.

Um comentário que parece cuidado, mas pouco a pouco vira controle.

Pequenas mudanças e concessões que, isoladamente, parecem não significar nada.

Como perceber a linha invisível que separa um relacionamento abusivo de um relacionamento não abusivo?

Todos os relacionamentos são permeados por combinações e contratos, alguns falados, alguns até formalizados perante a lei e outros não.

Toda relação envolve uma dinâmica de poder, que pode ser construída de forma mais ou menos saudável.

Sabe aquela ideia de que "o combinado não sai caro"? Ela se aplica muito bem aqui.

Os formatos de relação têm se modificado muito ao longo do tempo e costumam funcionar muito mais pelas combinações que sustentam a relação do que pelo formato escolhido. Existem relacionamentos abertos, fechados ou híbridos  que funcionam e outros que não. Não é o modelo em si que é decisivo, mas a forma como ele é vivido e as combinações que sustentam essa relação.

A liberdade que cada pessoa tem para ocupar esse lugar, negociar as combinações e, se necessário, revê-las ao longo do tempo. Uma combinação deixa de ser saudável quando deixa de poder ser questionada.

Em que momento uma combinação deixa de ser uma escolha e passa a ser uma submissão?

Algumas práticas que levam ao isolamento não acontecem do dia para a noite, não vêm de uma proibição explícita, vêm de uma manipulação sutil, aos poucos a pessoa vai se moldando e quando vê já não se reconhece.

Quando as coisas acontecem lentamente, não é raro que a pessoa não se dê conta ou mesmo acabe questionando a própria percepção, se achando exagerada, injusta ou até mesmo louca por estar pensando isso.

As marcas da violência emocional, justamente por não deixarem evidências visíveis, costumam ser ainda mais questionadas, desmentidas e invalidadas, o que retraumatiza quem está passando pela vivência.

Um dos fatores que deixa as pessoas ainda mais desamparadas e isoladas é o medo do julgamento, ou aquele temor de “agora que falei sobre isso tenho que me separar”, “o que as pessoas vão pensar se eu seguir no relacionamento”.

Em tempos de extremos, corremos o risco de cair para o outro oposto. Nem todos os relacionamentos são tóxicos, nem todas as divergências são violências ou abusos. Mas também é verdade que muitos relacionamentos abusivos começam de forma tão sutil que quem está vivendo dificilmente consegue reconhecer o que está acontecendo.

Antes de decidir se deve permanecer ou sair de um relacionamento, talvez exista uma pergunta anterior:

Você ainda consegue reconhecer quem era antes dessa relação?

Às vezes, recuperar essa pergunta já é o primeiro passo para compreender o lugar que esse vínculo passou a ocupar na sua vida.

Quando uma relação passa a restringir de forma persistente a sua liberdade, a sua autonomia ou a sua possibilidade de continuar sendo quem você é, vale a pena olhar para isso com atenção e compreender o que está se passando ali.

Saiba que é legítimo buscar um espaço para repensar o seu relacionamento, para compreender como você está se sentindo, se as combinações estão ou não fazendo sentido para você. O acompanhamento profissional oferece um espaço isento de opiniões e julgamentos, onde aquilo que você vive pode ser acolhido e escutado, de maneira ética e sensível. É um espaço para lembrar que não é preciso encarar tudo sozinho.

A terapia pode ser um primeiro espaço de segurança. Um lugar onde você pode falar sem medo, sem ser julgada, sem precisar se justificar. Onde, aos poucos, você pode começar a entender sua história, reconhecer esses padrões e, principalmente, se fortalecer para construir possibilidades reais de mudança — no seu tempo, do seu jeito, com cuidado. 


Este texto continua no meu blog, onde desenvolvo essa reflexão com mais profundidade.
Leia o artigo completo em 
https://www.angelapsi.com.br/post/relacionamento-abusivo-quando-uma-escolha-deixa-de-ser-uma-escolha

 

 

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