Renan Santos rejeita apoio a Lula, mas vê maior ‘perigo’ com eleição de Flávio
Renan Santos (Missão), quarto colocado nas eleições presidenciais no primeiro turno, descartou apoiar o presidente Lula (PT) nesta segunda fase e revelou que não pretende votar no dia 25 de outubro. Em entrevista ao programa Alt Tabet, do Canal UOL, ele disse que prefere não declarar apoio a nenhum dos candidatos para evitar que seu projeto político seja associado a outro grupo.
Apesar de rejeitar um possível alinhamento com Lula, Renan avaliou que o risco de concentração de poder seria maior em um eventual governo do senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo ele, o parlamentar teria mais condições de ampliar sua influência política por contar com amplo apoio no Congresso Nacional.
“Eu não vou votar. A última vez eu pedi voto nulo. Dessa vez eu tô falando: votem em quem quiserem”Renan Santos
“Eu acho, em termos de acúmulo de poder, o perigo do acúmulo do poder, do acúmulo específico, é maior com o Flávio. Eu acho isso aqui, da turma do PT, é o maior argumento que eles têm. Porque com o Lula, se o Lula ganhar a eleição, o Lula não tem poder pra passar PEC, pra passar nada”, continuou Renan.
O apoio de partidos de direita e centro-direita a Flávio Bolsonaro se soma ao avanço dessas siglas nas eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado. O PL, partido do candidato, elegeu 121 deputados federais e 28 senadores para a próxima legislatura, a maior bancada nas duas Casas.
Com a adesão de União Brasil, PP, Republicanos, Novo e Podemos, os partidos aliados podem reunir 286 deputados e 50 senadores a partir de 2027, o que poderia representar uma base expressiva para Flávio Bolsonaro em um eventual mandato no Palácio do Planalto.
Características autoritárias
Durante a entrevista, Renan também afirmou que vê características autoritárias nos dois projetos políticos. No entanto, o político do Missão ponderou que não acredita que o país esteja diante de um risco de golpe militar.
A principal preocupação, segundo Renan, seria a concentração de poder e a normalização de práticas ilegais nas instituições.
“Ter um golpe militar, a meu ver, a gente não corre risco. E eu também não consideraria, que é uma mera opinião, que o Flávio, pela natureza dele, esteja trabalhando para algo assim. E por quê? Porque a natureza do Flávio é acordo, e roubo. A natureza do Flávio é acordo e roubo, o tempo todo”Renan Santos
Campo político independente
Segundo Renan, a decisão de não apoiar Lula está relacionada à estratégia de construir um campo político independente. Ele explicou que, como presidente de um partido – o Missão -, não quer transmitir aos eleitores a impressão de que pretende se juntar a projetos de outros grupos.
O candidato defendeu que a construção desse espaço independente seria mais importante para o país do que sua escolha individual na votação.
“Eu não posso pegar o meu partido político […] e macular na defesa de outra causa”, declarou. “Ou eu crio meu campo político ou eu desisto da política”, completou Renan.
Perguntado sobre a possibilidade de anular o voto, Renan disse que a decisão dependerá de onde estiver no dia da votação.



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