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A possível delação de Vorcaro vai abalar a República?

jovempan.com.br
A possível delação de Vorcaro vai abalar a República?




Bomba, bomba! Vorcaro vai fazer delação e abalar a República. Basta rolar as chamadas das redes sociais que essa frase sensacionalista surge num piscar de olhos. E muita gente acredita. Mas será que é para acreditar mesmo? Não na delação em si, mas em suas consequências apocalípticas.


O que mais se ouve nos últimos tempos é sobre o terremoto que uma possível delação de Daniel Vorcaro provocaria na República brasileira. Ao que tudo indica, cabeças importantes dos três Poderes rolariam se ele contasse tudo o que sabe. Será? Afinal, já foram tantos exemplos, no passado mais ou menos recente, sem que nada de mais grave acontecesse com a República.


A história do Mensalão


Os envolvidos abriram o livro, revelaram detalhes das mais absurdas falcatruas, criaram enorme expectativa, mas, no final, as estruturas institucionais foram preservadas. Está certo que fica uma marca aqui, outra ali, com consequências que são lembradas, especialmente em períodos eleitorais. E só.


Para não irmos tão longe, vamos começar pelo Mensalão. Parece que foi ontem, já que os envolvidos continuam a perambular por aí, mas lá se vão mais de 20 anos. Tudo aconteceu em 2005, no primeiro mandato de Lula. O então deputado Roberto Jefferson revelou que havia um esquema de pagamento de mesada a parlamentares.


Gente graúda envolvida


Recursos desviados de empresas estatais, como Correios e Banco do Brasil, eram utilizados para a compra de apoio de deputados. O escândalo atingiu nomes importantes do PT, como José Dirceu, que era ministro da Casa Civil; José Genoino, presidente do partido; e Delúbio Soares, tesoureiro. Vinte e cinco dos quarenta réus foram condenados no julgamento.


Aparentemente, nada ficaria de pé, pois pessoas das entranhas do poder se dispuseram a delatar os envolvidos. Foi assim com o próprio Roberto Jefferson e o ex-deputado Pedro Corrêa, que apontou a participação do presidente Lula. Foram sete anos de apurações, julgamento e condenações. Os fatos foram tão evidentes que Lula chegou a se desculpar com os brasileiros.


A história do Petrolão


Bem, pensou a maioria, depois de toda essa repercussão, ninguém mais ousaria participar de outros malfeitos. Que nada! E não demorou muito. Em 2014, foi descoberto outro esquema de desvio de recursos de estatais, o Petrolão. Ainda mais robusto que o Mensalão. Houve desvio de verbas e lavagem de dinheiro investigados na Operação Lava Jato. Não se conhecia, na história, escândalo dessa envergadura.


Os envolvidos foram grandes empreiteiras, executivos da alta hierarquia da estatal e políticos dos mais diferentes partidos. As empreiteiras se organizavam para burlar licitações da Petrobras. Os valores negociados eram bem acima dos praticados no mercado. Os preços superfaturados recaíram sobre obras de grande porte, como as refinarias de Abreu e Lima e Comperj.


Roubaram muito e devolveram pouco


Diretores da estatal, indicados por critérios políticos, doleiros e partidos eram beneficiados com os recursos desviados. O destino do dinheiro era diverso: financiamento de campanhas políticas, compra de votos no Congresso e enriquecimento dos próprios participantes. Estima-se que o prejuízo da Petrobras, devido a esses roubos, ultrapassou dezenas de bilhões.


As delações nesse caso se mostraram ainda mais abrangentes. Entre os mais conhecidos estavam Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco, executivos da Odebrecht, com o requinte de um departamento de propinas, Antonio Palocci, João Santana, entre outros. Certos envolvidos chegaram a devolver alguns bilhões.


O lobo perde o pelo, mas não perde o vício


Não dá para dizer que não houve consequência, pois foi o prenúncio do impeachment de Dilma Rousseff, mas nada que comprometesse as estruturas institucionais do país. Para alguns, o crime até compensou. Ninguém ficou preso por tanto tempo assim. Há políticos que se envolveram nesses desmandos e que hoje continuam sendo eleitos aos mais diferentes cargos. Como observou Tucídides, os homens são mais inclinados a repetir erros do que a corrigi-los.


No momento atual, outros escândalos surgem quase simultaneamente: o caso do Banco Master, empréstimos consignados fraudulentos e descontos indevidos na conta de aposentados do INSS. Entre os nomes centrais dessas investigações encontra-se Daniel Vorcaro, que está preso e, segundo informações amplamente divulgadas pela imprensa, a um passo de fazer delação premiada.


Vorcaro teria muita história para contar


Dizem que ele possui segredos tão bombásticos que sua divulgação poderia abalar a República. Mais uma vez, a história parece se repetir. Se esses fatos vierem a público, é evidente que uma ou outra peça dos três Poderes talvez seja afetada, mas, como nos episódios anteriores, nada que desestabilize as instituições.


A população está ansiosa para descobrir os envolvidos nesse escândalo e espera que os culpados paguem por seus erros. Mas, como vimos, quem se envolve em planos escusos e busca vantagens financeiras e de poder raramente se emenda. O que o país precisa é de sistemas de controle que impeçam malfeitores de se apropriarem do dinheiro alheio. Por enquanto, é só torcida. Siga pelo Instagram: @polito




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